Acordo Mercosul–União Europeia começa a valer e redesenha o mercado de vinhos brasileiros

A partir de 1º de maio, a entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura uma nova fase para o mercado de vinhos brasileiro. Se, por um lado, a abertura do mercado interno deve aumentar a concorrência com rótulos europeus mais baratos, por outro, o tratado também cria oportunidades inéditas para que vinícolas nacionais ampliem sua presença no exterior, especialmente no exigente mercado europeu.

O acordo prevê a redução gradual de tarifas de importação entre os blocos, o que impacta diretamente o setor vitivinícola. No caso das exportações brasileiras, a medida tende a tornar os vinhos nacionais mais competitivos na União Europeia, onde hoje enfrentam barreiras tarifárias e logísticas que encarecem o produto final. Com a diminuição desses custos ao longo dos próximos anos, produtores brasileiros passam a ter melhores condições de disputar espaço com rótulos tradicionais do Velho Mundo.

Ainda assim,  o benefício não será automático. O mercado europeu é altamente consolidado, com forte valorização de origem, tradição e identidade regional. Para competir, o vinho brasileiro precisará avançar em estratégias de posicionamento, marketing e construção de marca.

Nesse cenário, iniciativas recentes já indicam um movimento de internacionalização. Rodadas de degustação realizadas em cidades como Paris vêm apresentando rótulos brasileiros a importadores, sommeliers e consumidores europeus. A recepção tem sido positiva, especialmente em nichos que valorizam diversidade, novas origens e produção sustentável.

Além disso, a redução de custos logísticos e tributários pode facilitar a entrada dos vinhos brasileiros em canais como restaurantes, clubes de vinho e importadoras especializadas. A médio prazo, a expectativa é que o Brasil amplie sua participação no mercado internacional, ainda que de forma gradual.

Por outro lado, o acordo também escancara desafios históricos do setor. A carga tributária elevada no Brasil, a baixa cultura exportadora e a necessidade de maior investimento em promoção internacional seguem como entraves. Sem avanços nessas áreas, o ganho de competitividade pode não se traduzir em aumento efetivo das exportações.

Para o consumidor europeu, o vinho brasileiro ainda é uma novidade. Mas a qualidade já demonstrada por rótulos nacionais, especialmente espumantes e vinhos de regiões como Serra Gaúcha e o Cerrado brasileiro — indica que há espaço para crescimento, desde que acompanhado de estratégia e consistência.

Expovitis 2026 entra como vitrine estratégica

Esse novo cenário internacional também reforça a importância de iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor no país. A Expovitis Brasil 2026, que será realizada entre os dias 25 e 27 de junho, em Brasília, surge como um dos principais pontos de conexão entre produtores, investidores e mercados.

Com expectativa de reunir cerca de 180 expositores e 10 mil visitantes, a feira se posiciona como uma vitrine da vitivinicultura nacional em um momento crucial de transformação. Mais do que apresentar rótulos, o evento deve fomentar discussões sobre competitividade, inovação, exportação e posicionamento internacional, temas que ganham ainda mais relevância com o acordo Mercosul–UE.

A Expovitis também dialoga diretamente com uma das principais demandas do setor: a profissionalização e o fortalecimento da cadeia produtiva. Em um ambiente de maior concorrência global, encontros como esse ajudam a preparar produtores brasileiros para disputar espaço não apenas no mercado interno, mas também no exterior.

Diante de um cenário que combina oportunidades e desafios, o acordo com a União Europeia marca um ponto de virada. Para o vinho brasileiro, pode ser o início de uma nova fase, mais internacional, mais competitiva e, sobretudo, mais estratégica.

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