O que o produtor nacional de vinhos precisa saber para capitalizar com o acordo Mercosul-União Europeia?

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abriu um novo capítulo para o setor vitivinícola brasileiro. Embora o debate tenha se concentrado inicialmente na possível chegada de vinhos europeus mais baratos ao mercado nacional, produtores brasileiros também enxergam oportunidades estratégicas de expansão, valorização da produção local e fortalecimento da imagem do vinho brasileiro no exterior.

O acordo prevê a redução gradual de tarifas comerciais entre os dois blocos e deve impactar milhares de produtos nos próximos anos, incluindo vinhos e espumantes. Algumas categorias de vinhos europeus já começaram a ter tarifas reduzidas ou zeradas de forma imediata, enquanto outras passarão por um cronograma progressivo de redução até a próxima década.

Para especialistas do setor, a tendência é de um mercado mais competitivo e profissionalizado. Isso porque o aumento da concorrência deve acelerar investimentos em qualidade, posicionamento de marca, enoturismo, inovação e diferenciação regional, fatores que já vêm impulsionando o crescimento dos vinhos produzidos no Brasil, especialmente em regiões emergentes como o Cerrado brasileiro.

Além disso, o acordo também amplia possibilidades de acesso ao mercado europeu para produtos brasileiros. O reconhecimento e a proteção de indicações geográficas brasileiras dentro da União Europeia são apontados como um dos ganhos mais relevantes do tratado. Entre elas, aparecem os vinhos e espumantes do Vale dos Vinhedos, fortalecendo a imagem do vinho brasileiro no exterior.

Dados recentes mostram que o mercado brasileiro de vinhos vive um momento de transformação. O consumo interno cresceu nos últimos anos, novos polos produtores ganharam relevância e o vinho nacional passou a conquistar mais espaço em concursos internacionais e no interesse do consumidor brasileiro. Nesse cenário, o acordo pode funcionar como um catalisador para acelerar a internacionalização do setor e estimular produtores a investir em experiências de valor agregado, sustentabilidade e identidade regional.

“O produtor brasileiro precisa enxergar esse momento não apenas como um aumento da concorrência, mas como uma oportunidade histórica de amadurecimento do setor. O vinho brasileiro evoluiu muito nos últimos anos e hoje já compete em qualidade com diversos mercados internacionais”, afirma Ronaldo Triacca, presidente da Expovitis Brasil.

Segundo Triacca, o acordo também pode estimular intercâmbio tecnológico e aproximação comercial entre produtores brasileiros e europeus. “A abertura comercial tende a ampliar o acesso a tecnologias, equipamentos, conhecimento técnico e novas parcerias internacionais. Isso fortalece toda a cadeia produtiva”, destaca.

Entidades do setor reconhecem que haverá desafios, principalmente diante da força histórica dos vinhos europeus no mercado brasileiro. Ao mesmo tempo, lideranças da vitivinicultura defendem que o momento exige políticas de fortalecimento da competitividade nacional, melhoria do ambiente tributário e incentivo à promoção do vinho brasileiro.

Expovitis Brasil 2026 deve ampliar debate sobre oportunidades para o vinho nacional

O avanço do acordo também chega em um momento simbólico para a vitivinicultura brasileira. Em Brasília, a Expovitis Brasil 2026 vem sendo posicionada como a principal feira nacional dedicada exclusivamente ao vinho brasileiro e deve reunir produtores, especialistas, investidores, compradores e representantes do setor em um ambiente voltado à inovação, negócios e fortalecimento da cadeia vitivinícola nacional.

A edição de 2026 da feira acontece entre os dias 25 e 27 de junho, no Parque Tecnológico Ivaldo Cenci, no PAD-DF, reunindo cerca de 180 expositores e expectativa de até 10 mil visitantes. A proposta da Expovitis é justamente ampliar a visibilidade do vinho nacional, fomentar negócios e apresentar ao mercado o potencial produtivo brasileiro, incluindo novas fronteiras vitivinícolas como o Cerrado.

Para Ronaldo Triacca, o novo cenário internacional reforça ainda mais a importância da feira. “A Expovitis nasce justamente nesse contexto de transformação do mercado. O Brasil vive um momento estratégico na vitivinicultura, e a feira será um espaço para conectar produtores, tecnologia, enoturismo e oportunidades de mercado em um ambiente cada vez mais globalizado”, conclui.

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